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Terça-feira, 13 de Março de 2007

A CURA PELA MÚSICA

A música exerce efeitos incríveis sobre o ser humano influenciando o seu desenvolvimento psicomotor.

Esta arte de combinar sons pode ser utilizada para ajudar na educação de mentalidades, na cura de doenças, no relaxamento e em muitas outras vertentes. Conforme o tipo e a qualidade da música, criam-se efeitos positivos ou negativos no ser humano, a música pode levar a um equilibrio psicologico que antes não existia.

Proporcionar a “cura” das emoções, utilizando a música como terapêutica, obtém-se resultados positivos, quanto menor a auto-estima na pessoa, mais difícil é conseguir levantá-la. Perguntar a um indivíduo qual a música favorita e tentar descobrir os sentimentos que lhe provocam, porque ouvir música e não pensar em mais nada, senti-la e deixar-se ir pode resolver muitos casos problemáticos em várias idades. Muitos casos com realidades diferentes, tanto em experiências como em idade, mas gente com algo em comum: um sentimento muito grande de revolta, o abandono, a solidão, a rejeição, a necessidade de afirmação e reconhecimento, podem aproximar-se graças à música.

Utilizar áreas diversas no acompanhamento da principal “a música”, como a dança, o teatro, a pintura, etc… como instrumentos de relaxamento, aproximação entre grupos, auto-conhecimento, auto-observação sobre si próprios, integração e, consequentemente, cura das emoções. A música tem de ser escolhida cuidadosamente, utilizando vários ritmos e estilos, permitindo a expressão plena de todo o tipo de sensações.

A utilização da música como um meio para integração e cura interior de autistas; relaxa e tranquiliza as crianças e a influência fisiológica e psicológica do som no cérebro traz inúmeros benefícios à criança, podendo ser utilizada como integração da mesma no meio.

A utilização da música, como cura emocional e meio de integração para os invisuais é de extrema ajuda porque proporciona ao mesmo a expressão das suas emoções através da música, dança, teatro, etc…

"Ouvir era um segredo. Ela ouvia muitas coisas, algumas impossíveis. 
Por exemplo, bastava-lhe olhar a pauta para ouvir a música lá escrita.
Como se dentro dela alguém tocasse. Às vezes ela saía, caminhava na
 rua, tocando apenas mentalmente, para não se deixar interromper. 
Só quando chovia ela se abrigava debaixo de uma varanda 
ou no varão de uma porta, parava mentalmente de tocar 
e fechava o piano."
Teolinda Gersão in Os Teclados

A música pode também ser usada na cura de pessoas com incapacidade parcial ou total da audição pode parecer impossível, mas os surdos são capazes de sentir vibrações musicais e de perceber a intensidade do som. A actividade para o som é completamente distinta em pacientes com experiência auditiva prévia, em pacientes com surdez parcial e nos surdos de nascimento. De qualquer maneira, para eles, interessa-lhes mais o ritmo e menos a melodia. Servem-se de outros sistemas capazes de ajudar a perceber o som: sistemas de percepção interna, táctil e visual. Para isso é importante que o piso da sala onde se acompanha estas pessoas, seja de madeira para que se possam sentir as vibrações.

A adolescência é uma etapa da vida marcada por uma porção de transformações: no corpo, nos sentimentos e nas relações com os outros. É um tempo de conhecimento, descoberta e experimentação. Todo o crescimento que acontece nessa fase tem um objectivo importante, o amadurecimento físico e emocional. A música como terapia de grupo utilizando a expressão corporal pode ajudar os jovens a viverem esta etapa com menos dúvidas, permitindo um crescimento saudável e feliz.

Os portadores de deficiência física, em comparação com a maioria das pessoas, apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de factores inatos e/ou adquiridos, de carácter permanente e que acarretam dificuldades na sua integração e interacção com o meio físico e social. Dizer que um indivíduo tem uma deficiência não implica, portanto, que ele tenha uma doença, nem que tenha de ser encarado como doente. A música no relacionamento dessas pessoas com a sociedade em geral pode levar mais facilmente à aceitação da deficiência.

 “A boa música nunca se engana, e vai direita, 
buscar ao fundo da alma o desgosto que nunca devora.”

Sthendal

publicado por Dreamfinder às 22:16

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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

A ÚLTIMA DANÇA

Como futura médica, retirei implicações das vivências que tive oportunidade de realizar nas 2 visitas com o meu grupo, no âmbito da disciplina de Introdução à Medicina que foram enriquecedoras no sentido de melhor compreender a importância da harmonia entre a formação/competência e a humanidade, atenção e empatia na carreira médica.

Visitei o Centro Polivalente de S. Cristóvão e S. Lourenço e a Associação Acreditar. Apesar dos contornos bastante diferentes das 2 visitas, elas despertaram-me o espírito para dois temas principais: o magnifico trabalho de solidariedade e as pessoas carenciadas contempladas pelo mesmo.

No C.P.S.C.S.L. fui surpreendida quando soube que não ia passar o dia no centro de dia (que alberga idosos a tempo permanente), mas que, em vez disso, visitaria as pessoas nas suas próprias casas, acompanhando as responsáveis pelo apoio domiciliário.

Inicialmente desconfortável com o sentimento de invasão à intimidade daquelas senhoras, deixei-me fascinar pelo excelente trabalho desenvolvido pelas auxiliares: Lúcia e Rosário. E senti que, para aquelas senhoras idosas, elas faziam parte da família, e estavam mais presentes do que os familiares, que as esqueceram… e que elas tornam presentes nas suas recordações. Mas se me comoveu a atenção, disponibilidade, simpatia, carinho e felicidade que aquelas mulheres levam todos os dias a casa daquelas idosas, mais me comoveu o traço que encontrei em comum nas duas senhoras que visitei:

A Dona Olga era a mais extrovertida, ainda guardava um olhar maroto quando dizia que o seu vizinho policia era muito jeitoso.

A Dona Amélia era mais reservada, tinha muitas dores devido às artroses.

Mas em comum, nas simpáticas senhoras, existia aquilo que mais as magoa, a diferença entre o que foram e o que são, as penosas recordações de um tempo (em que foram felizes) e que não volta mais, a consciência da sua própria situação e o sentimento de inutilidade e abandono.

É com o olhar brilhante e preso no passado que a Dona Olga recorda como era bonita, afirmando que sempre “fora vaidosa, não peneirenta”. Lembra-se que todos lhe gabavam as bonitas pernas, “e olhem agora, tanta inveja tiveram, que agora estão assim”, diz apontando para a operação e a prótese que lhe puseram na perna, e diz que não se importa de morrer.

Da Dona Amélia, conta a Lúcia, que ela chegou a trabalhar num famosíssimo salão de beleza, pelo que conviveu com pessoas como a pintora Paula Rêgo ou Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje está ali, só e com uma tristeza profunda. É para mim doloroso lembrar-me do que a senhora repetia constantemente, “Desculpem, eu estar assim, sem interesse para vocês. Um farrapo de gente, nada mais.”. A Dona Amélia entregava-se, desistia claramente de viver, não suportava esse contraste doloroso entre o que é e o que fora.

Como futura médica, esta experiência fez-me compreender que estes idosos têm necessidades especiais e têm de ser tratados pelos médicos não com desprezo ou indiferença mas com todo o respeito, atenção e dignidade que merecem. Além de tratar devidamente os problemas físicos, o médico tem de ter atenção às carências afectivas. Uma simples palavra de carinho, um gesto de compreensão, um olhar de apoio… Um sinal que lhes mostre que alguém se preocupa com eles, que lhes transmita confiança.

A esperança que a “D. Olga” precisa, a esperança que ela perdeu, “Será que alguma vez eu voltarei a dançar? Eu gostava tanto. Mas sei que não, nunca voltarei a dançar.”...

“Se vale a pena viver a vida esplêndida - esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? ... Só a luz! Só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz é para mim a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando o dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo,

busco-a com ânsia.”

Raul Brandão

publicado por Dreamfinder às 22:24

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